São Tomé, que feitiço é esse?

São Tomé, que feitiço é esse?

São Tomé, que feitiço é esse?

Sou europeia. Não, sou uma mulata criada e vivida na Europa. Não, sou uma europeia nascida em Angola, mas que nunca estivera em África.

A verdade é que nunca tinha pensado, seriamente, no que sou … Eu, sou eu. Sou portuguesa. Ponto. Toda a minha vida, depois dos três anos de idade, foi vivida em Portugal.

A minha primeira viagem a São Tomé, em Setembro de 2015 – uma viagem de férias, feita quase por acaso –  fez-me refletir sobre quem sou e estabelecer a minha ligação a África.

Antes de viajar falei com um amigo, Santomense,  e ele fez-me um aviso: “Cuidado, que aquela terra tem feitiço!”. Ri e disse que estava “vacinada”. Longe de saber que não há vacina contra o feitiço de São Tomé. E tive logo à chegada o primeiro aviso: a emoção inexplicável que me fez encher os olhos de lágrimas quando uma das hospedeiras faz as despedidas em forro! Não percebi uma palavra do que foi dito mas senti no coração cada palavra dita!

O feitiço estava lançado.

E depois, foram as pessoas, a terra, o clima, os cheiros, a jaca, a banana-maçã, a flor púdica, ou mulher portuguesa, como lhe chamam, o peixe, a incrível e comovente simplicidade da forma de viver dos santomenses.  Num dia a caminho do norte da ilha, ao som de Yannick Delass, “Outros Rios” fui africana da cabeça aos pés. Fui revestida de uma africanidade que nunca havia sentido! Queria, quero, vestir-me daquela natureza; quero alimentar-me daqueles sorrisos e beber da simplicidade. Quero ser leve leve.

Queria regressar e regressei, logo em Abril, deste ano, a convite de um amigo. Não consegui resistir ao chamamento.

De volta a Lisboa continuo a procurar incessantemente uma oportunidade, um motivo para regressar. Quero regressar.

Ainda hoje, volvidos 5 meses, do meu segundo regresso, me sinto aconchegada e aquecida pelas noites quentes de São Tomé. Ainda hoje, tenho de me focar para não estar sempre sentada na garupa de uma acelera na marginal de São Tomé a sentir-me livre e leve.

Quero regressar.

 

Diz-me, São Tomé, que feitiço foi esse que me lançaste?

Por… Celmira Carolina

 

Jorcilina Correia

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