Entrevista os Calema

Entrevista os Calema

Os Calema são um grupo santomense composto por dois irmãos, o Fradique que é o mais velho, e o António o mais novo. Para eles, a diferença de idade não significa muito, desde que haja união e comunicação todas as decisões são tomadas a pensar no grupo e não em cada um. Têm o apoio da família que lhes ensinara desde pequenos em como ultrapassar obstáculos sempre unidos.

RM- “Bomu kêlê” é o nome do vosso primeiro álbum, como é que o publico esta a reagir?

Está a ser muito bem recebido, quando chegámos a São Tomé, estavam todos a cantar “ê ê eia”, e foi muito bom sentir essa grande apreciação por parte dos santomenses. Em Portugal estamos a ter um bom feedback, e os franceses adoram o nosso crioulo, a pronúncia, porque é tudo muito novo para eles.

RM- As vossas músicas, as letras, a melodia, é tudo muito romântico… De onde vem essa inspiração?

As nossas músicas são mais melódicas, gostamos de ir pela melodia para tocar no coração das pessoas. O estilo romântico tem uma grande influência brasileira, em São Tomé ouvíamos muitas músicas brasileiras. Mas o nosso estilo em geral tem influência de tudo um pouco, do Brasil fomos buscar a melodia e a afinação, de São Tomé fomos buscar a originalidade e a língua, e da Europa fomos buscar a parte mais moderna e comercial.

Queremos agradar a todos, mas sem esquecer a nossa origem, o nosso país, porque o nosso maior objetivo é que São Tomé e Príncipe seja conhecido no mundo através da nossa música. Com organização e muita responsabilidade, a nossa música pode chegar a toda parte do mundo para os santomenses terem orgulho de nós e principalmente do nosso país.

RM- Existe uma diferença de 5 anos entre vocês, isso não influência nas decisões do grupo?

Não, nós somos um grupo e temos que ter isso em conta. Nós equilibramos tudo, juntos somos mais fortes, nenhum sabe mais do que o outro. Quando um está a escrever a letra, mostra ao outro e juntos vemos o que falta, o que podemos acrescentar, escolhemos a melodia, fazemos tudo juntos, tem que haver muita comunicação para chegarmos a um consenso.11121269_10153785252573294_1796759477_n

RM- Calema significa ondulação do mar, onde é que foram buscar esse nome?

O nosso primeiro nome era “Estrelas do Sul”, Estrela era o nome de uma esplanada de um amigo nosso do Sul de São Tomé, cantámos de norte a sul do pais até 2008 com esse nome. Quando chegámos a Portugal, vimos um outro universo da música e isso fez – nos ir à busca de um nome mais simples e que ficasse na boca das pessoas. Nós estávamos sempre em contato com o mar e com a natureza, a nossa calema é, São Tomé e Príncipe de onde trazemos a cultura, o sol, os sorrisos, etc, daí surgiu o nosso nome, Calema.

RM- Já haviam lançado algum álbum antes desse (Bomu kêlê)?

Sim, lançámos em 2010 uma maquete, que serviu para ganharmos experiência e deu – nos uma maior visão do meio em que iríamos entrar. Mas consideramos “Bomu Kêlê” o nosso primeiro álbum porque estamos por dentro, todas as letras foram compostas por nós e fazemos parte deste álbum desde o início até ao fim.

RM- Já fizeram parceria com algum cantor?

Sim, temos uma música com a Kataleya. Escrevemos a letra e convidamos a Kataleya para cantar connosco, todos gostaram muito da letra. A música já foi gravada e será lançada em princípio no mês de Maio. Esse som vai ser “pedra”.

RM- Quais são os cantores com quem gostariam de trabalhar?

São muitos, mas os mais importantes são o Zezé de Camargo e Luciano,  Bruno e Marrone, porque nós fomos influenciados por eles, desde a nossa infância que ouvíamos a música deles.

11178468_10153785252798294_1602013045_nRM- O que esperam por parte dos santomenses?

Nós queremos mostrar São Tomé e Príncipe para todo o mundo mas para isso acontecer precisamos de apoio financeiro por parte dos santomenses, nós precisamos de patrocínio, porque sem patrocínio fica tudo mais complicado, chegamos a um ponto que não podemos avançar mais devido a motivos financeiros. Queremos que o povo santomense se unam como um só para elevar o nosso país, para dar a conhecer ao mundo, o paraíso que é São Tomé e Príncipe. Vamos fazer melhor, vamos lutar mas todos juntos.

RM- Como está a vossa agenda?

Temos 2 shows em Milão e 2 em França. No dia 29 estaremos em Angola para o “Angola Music Awards”.

RM- E como é que estão esses corações?

António – eu estava solteiro, mas agora o coração já tem dona.

Fradique – o coração já tem dona, ter alguém do nosso lado para partilhar não só momentos maus como também momentos bons é muito importante.

A nossa inspiração vem do dia a dia, das pessoas, nós pegamos em tudo e fazemos música.

 

 

 

 

 

 

Jorcilina Correia

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