A estranha Leveza da Insularidade

A estranha Leveza da Insularidade

A estranha Leveza da Insularidade

São Tomé e Príncipe é o lugar onde vamos para nos apaixonar.

A primeira sensação que tive ao pisar São Tomé, foi a de estar a matar saudades. Foi como regressar a casa, uma casa onde fui feliz e onde o meu coração ansiava por voltar. E enquanto os meus olhos percorriam em desassossego, tudo o que se espraiava à distância, dentro de mim só existia o conforto de um regresso.

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O efeito destas ilhas transporta o sentimento mais complexo e transcendente que já conheci. É tão doce, que se cola na pele. E chega sem aviso, instala-se e transforma todos os dias numa benção, cada acordar num mundo de possibilidades. Cada madrugada num sem fim de vontades. É um sentimento que se reveste de uma simplicidade, que só conheci nas suas gentes, absurdamente genuíno.

Esse é o lugar onde moram todos os tons de verde que se ouse sonhar. O lugar onde a natureza ainda impera e se pronuncia em todos os lugares. O lugar onde o mar é mais mar porque o sentimos como num abraço que não acaba, que não se sabe acabar. E será possivelmente, o único lugar do mundo onde sentimos o equilíbrio perfeito entre a inquietude e a serenidade.

Nunca havia conhecido um povo como esse. Magnânimo em todos os gestos. Livre de uma europeização que lhes pudesse roubar a identidade e por esse mesmo facto, detentores de uma pureza que parece já só se ler nos livros. Um povo feliz, que nos contagia com essa forma de viver e com essa leveza que passeiam no sorriso.

Ali respira-se música. Música que faz o coração dançar. Notas, que nas suas peculiares cadências, nos aquecem o corpo e nos incitam a estar mais perto. Uma dança que nos impele a conhecer o outro, que nos mostra uma nova intimidade e que nos atinge como uma corrente. Uma estranha sinfonia que vicia os ouvidos e que desperta o nosso querer.

Estas miríficas ilhas, são também lugar onde tudo se amplia. O mar é mais azul, o verde personifica tudo o que nos rodeia e o sol tatua a pele. Todos os sentimentos se exaltam e nada se sente morno. Ali o amor é mais amor e o desejo mais bruto. Ali o nosso querer é mais verdadeiro, é aquele que não se sabe controlar, aquele que anseia ser consumado.

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São Tomé não é lugar de fuga, mas de encontro. Lugar onde não se colhem as respostas certas, mas as perguntas mais pertinentes. A sua geografia insular rompe com os preconceitos que a revestem e mostra aos que a visitam, que o efeito ilha, é ali, absolutamente libertador. Não pode haver sensação de aprisionamento, quando encontramos um lugar para amar.

São Tomé e Príncipe tem uma mística que ninguém consegue explicar. É o lugar a que ansiamos sempre por poder voltar, o lugar do qual teremos sempre saudade. É a viagem para mudar a nossa vida e não apenas um destino. É uma vida inteira.

– E eu apaixonei-me.

Por – Marta Rodrigues

 

 

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